McLaren conclui testes e prepara upgrade decisivo para Miami
Norris rodou 108 voltas no Nürburgring, Piastri outras 66. A McLaren aproveitou a pausa forçada de abril para testar pneus e finalizar o maior pacote de atualização do MCL40 — o que Stella chama de 'primeira resposta real' ao ritmo da Mercedes.

Quando a F1 cancelou as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, as equipes receberam um presente envenenado: cinco semanas sem corridas. Para a McLaren, que chegou ao Japão como a terceira força do grid e 89 pontos atrás da Mercedes no campeonato de construtores, a pausa podia ter cheiro de catástrofe. Virou, segundo Andrea Stella, "o momento exato que precisávamos".
A equipe de Woking foi ao Nürburgring — para o primeiro teste da McLaren no mítico traçado alemão desde 2020 — e passou dois dias rodando com Lando Norris e Oscar Piastri para testar compostos Pirelli para temporadas futuras. Foram 174 voltas no total: 66 de Piastri na terça (melhor tempo: 1:35.096) e 108 de Norris na quarta (melhor: 1:33.640). Mas o número que mais interessa à equipe não está na folha do cronômetro — está na mesa do departamento de aerodinâmica em Woking.
A pausa que virou laboratório
O Nürburgring foi, oficialmente, um teste de pneus para a Pirelli. Mas 174 voltas com os dois titulares num mesmo carro de corrida ativo gera o que os simuladores nunca conseguem replicar completamente: feedback real, dados reais, sensações reais.
"Temos tempo de respirar e de alcançar o que precisamos, tanto operacional quanto tecnicamente, para que possamos estar em condições de brigar por posições mais importantes assim que voltarmos a correr — começando por Miami", declarou Stella à Formula1.com.
A tradução prática: o primeiro grande pacote de atualização do MCL40 em 2026 desembarca na Flórida no dia 1º de maio.
O que chega em Miami
Os engenheiros de Woking estão focados em dois problemas interligados do MCL40: arrasto excessivo e déficit de eficiência aerodinâmica em comparação com Mercedes e Ferrari. O pacote de Miami visa reduzir esse arrasto sem sacrificar a carga necessária para manter os Pirelli nas janelas de temperatura ideais.
Stella foi direto — algo que diretores de equipe raramente fazem — ao nomear o problema: "O MCL40 é uma plataforma de altíssimo potencial. Mas sofre um pouco de déficit de grip em relação à Ferrari e à Mercedes."
A leitura é precisa para quem acompanhou o início de temporada. A McLaren foi a equipe que mais evoluiu no ritmo de classificação — o gap para a Mercedes caiu de 0.862s na Austrália para 0.354s no Japão. Mas o ritmo de corrida ainda não corresponde ao potencial, e as falhas de confiabilidade em Xangai — ambos os carros não saíram do pit lane por problemas elétricos distintos — custaram pontos que o campeonato não devolve.
A equipe garante "confiança inabalável" de que o pacote de Miami não vai forçar uma troca de downforce por temperatura de pneu. O objetivo, nas palavras de Stella, é justamente permitir que a McLaren extraia mais do motor Mercedes sem penalizar o equilíbrio aerodinâmico que o carro já tem.
Norris não desiste — e o calendário pode ajudar
Lando Norris está 47 pontos atrás de Kimi Antonelli no campeonato de pilotos após apenas três etapas. O número assusta, mas o britânico recusa o papel de coadjuvante antes da hora.
"Não é uma questão de desistir e focar no ano seguinte — não tenho certeza de que essa abordagem funcione", disse Norris ao Sky Sports F1. "Temos bastante exemplos de anos em que não começamos onde queríamos, mas terminamos em posição bem mais forte — 2023, 2024 e por aí vai."
O calendário, curiosamente, pode jogar a favor da McLaren. Miami é um sprint weekend — sprint qualifying na sexta, Sprint no sábado e Grand Prix no domingo. Dois dias de corrida para marcar pontos em vez de um. Para uma equipe que precisa recuperar terreno rapidamente, o formato não poderia ser mais conveniente.
E Miami, não coincidentemente, é o circuito favorito da McLaren. Como Carla Ribeiro apontou, Norris venceu lá em 2024 e Piastri em 2025 — dois anos seguidos de laranja num traçado onde a Mercedes nunca ganhou nas cinco tentativas. A memória muscular existe, mesmo que o MCL40 de 2026 seja um bicho diferente dos carros que dominaram o Hard Rock Stadium.
O GP de Miami começa em 14 dias. A McLaren parte para a Flórida mais bem preparada do que quando chegou ao Japão — e com um pacote de atualizações que, se funcionar como planejado, pode mudar o rumo do campeonato antes da metade da temporada.