Ferrari leva piso novo, Macarena e ADUO para Miami 2026
A Scuderia preparou um pacote triplo para o GP de Miami: piso revisado, nova versão da asa Macarena e créditos de desenvolvimento de motor via ADUO. Teste em Monza no dia 22 de abril valida tudo antes do primeiro sprint do ano.

A Ferrari está trabalhando em três frentes simultâneas para virar o jogo no GP de Miami 2026. Um novo piso, uma versão atualizada da asa Macarena e créditos de desenvolvimento de motor via ADUO: o plano da Scuderia para cortar a diferença de quase um segundo por volta em relação à Mercedes tem nome, data e teste marcado.
A distância que a Ferrari precisa fechar
Após três corridas, os dados são claros: Kimi Antonelli lidera o campeonato com 72 pontos, Charles Leclerc está em terceiro com 49. Lewis Hamilton soma 38 pontos em sexto. A Mercedes não apenas vence — ela vence folgado. Em Suzuka, Antonelli cruzou a linha 13,7 segundos à frente de Piastri. A Ferrari terminou em terceiro e sexto, mas os tempos de volta contam outra história: o SF-26 rastreia o W17 com um déficit consistente de 0,7 a 1 segundo por volta em condições de corrida.
Fred Vasseur, chefe de equipe, não faz drama, mas também não esconde o diagnóstico: o carro precisa de mais downforce, o motor precisa de mais potência e o conjunto precisa ser mais bem compreendido pelos engenheiros. Miami, com uma janela de cinco semanas aberta pelos cancelamentos do Bahrein e da Arábia Saudita, é a primeira oportunidade real de reagir.
Os três vetores do upgrade da Ferrari para Miami
O novo piso é o pilar central do pacote. Desenvolvido originalmente para o GP do Bahrein — cancelado antes mesmo de acontecer —, o componente revisado traz um aumento expressivo de carga aerodinâmica. Com os regulamentos de 2026 elevando o componente elétrico a 50% da potência total, a equação aerodinâmica mudou: gerar downforce voltou a valer mais do que economizá-lo, e o SF-26 atual opera com margem para melhorar nesse ponto.
A asa Macarena já fez sua estreia em circuito real: o conceito de asa traseira rotatória foi confirmado no Japão após testes na China, girando 180° para alternar entre alta eficiência em retas e máxima carga nas curvas. A peça provou funcionar em situação de corrida, mas ainda carrega espaço de otimização. Uma versão refinada está sendo desenvolvida e será testada no filming day de Monza em 22 de abril — o que chegar a Miami será uma evolução direta do que funcionou em Suzuka.
O ADUO — o sistema de créditos de desenvolvimento de unidade de potência previsto pelo regulamento para fabricantes com performance abaixo da referência — é o terceiro vetor. A Comissão da F1 se reúne em 9 de abril para definir o ranking de performance das PUs e estabelecer quais construtores recebem tokens extras de desenvolvimento antes de Miami. A Ferrari, que chega atrás da Mercedes em potência bruta, deve ser contemplada. O próprio Antonelli confirmou após Suzuka que "a Ferrari receberá ADUO e vai se aproximar — o SF-26 é muito rápido aerodinamicamente".
Não é concessão por generosidade. É o mecanismo do regulamento funcionando: fabricantes menos competitivos têm mais margem de desenvolvimento para que o campo não se cristalize cedo demais.
Monza, 22 de abril: a Ferrari valida tudo antes de Miami
O dia 22 de abril está marcado no calendário da Scuderia. Um filming day de 200 km no Circuito de Monza — escolhido pelas longas retas, ideais para medir eficiência de alta velocidade e straight-line drag — com Lewis Hamilton e Charles Leclerc se revezando ao volante do SF-26 atualizado.
Para Hamilton, que estreia um novo engenheiro de corrida em Miami, o teste tem valor duplo: calibrar o carro com os novos componentes e construir os primeiros dados em conjunto com Cédric Michel-Grosjean antes que o sprint de Miami imponha pressão real. Com menos tempo de ajuste num fim de semana de sprint, qualquer segundo de entendimento antecipado entre piloto e engenheiro conta.
O foco principal será o comportamento do piso revisado nas variações de carga e a gestão térmica em alta velocidade. A Ferrari também usará a sessão para testar protocolos de recarga da bateria, dado que o traçado de Miami — com seu layout técnico e estresse elétrico elevado — exige calibrações específicas que não aparecem nos dados de testes de fevereiro.
Impacto: o campeonato real começa em Miami?
Vasseur foi direto ao ponto esta semana: "Todas as equipes vão trazer upgrades para Miami." A diferença é que a Ferrari chega com três vetores simultâneos, algo que não foi possível nas três primeiras corridas por falta de tempo de desenvolvimento após os testes de pré-temporada.
A Mercedes, por sua vez, participa dos testes de pneus secos da Pirelli no Nürburgring em 14 e 15 de abril com McLaren, focando na otimização do equilíbrio do W17 para diferentes compostos. A liderança de Antonelli não será entregue sem disputa.
Mas a lógica dos upgrades favorece quem tem mais a ganhar. E neste momento, a Ferrari tem. Se o pacote funcionar como planejado em Monza, Miami não será apenas o quarto GP do ano — será o reinício de uma briga de campeonato que até agora só teve um protagonista.