NotíciasReportagem

Williams em crise: FW48 pesado, Vowles sob pressão e China como teste de fogo

Após uma estreia frustrante na Austrália, a Williams enfrenta a pressão dos investidores, um carro acima do peso e dois pilotos pedindo mais. O GP da China é a primeira chance de reação.

PorFernando Almeida
Publicado
Leitura4 min
Williams em crise: FW48 pesado, Vowles sob pressão e China como teste de fogo
Foto: Motorsport.com / Reprodução — Carlos Sainz ao volante da Williams FW48 em Melbourne

A Williams foi, de longe, a maior decepção do GP da Austrália 2026. Albon cruzou a linha em 12º, a uma volta dos líderes. Sainz terminou em 15º, a duas. E o que chamou atenção não foi só o resultado — foi a escala do problema.

James Vowles saiu de Melbourne com mais perguntas do que respostas, e com investidores batendo na porta.

O FW48 e o peso que não some

A questão do peso da FW48 arrasta-se desde o inverno. Especulações chegaram a falar em 30kg acima do limite mínimo. A Williams tratou de desmentir: o carro pesa 772,4kg — apenas 4,4kg acima do permitido.

Só que mesmo essa diferença tem impacto real. No mundo da F1 moderna, cada quilo extra custa décimos de segundo por volta. E a equipe chegou em Melbourne sem ter resolvido o problema.

Vowles foi direto ao ponto quando questionado: "Não é complicado reduzir o peso. Já tenho na minha caixa de entrada hoje todas as etapas de engenharia para não só atingir o limite, mas ficar abaixo por uma boa margem. Se não houvesse teto de gastos, eu executaria isso amanhã e estaria feito em poucas semanas."

A restrição orçamentária é real. A Williams prefere encaixar as reduções de peso nos pacotes de desenvolvimento planejados, em vez de gastar fichas do teto de custo em medidas emergenciais. Estratégia defensável no papel — mas que deixou a equipe numa posição complicada já na primeira corrida.

Sainz frustrado, Albon doendo

Se Vowles tentou manter a calma, os pilotos foram mais crus na avaliação.

Carlos Sainz viveu um fim de semana turbulento. O aerofólio dianteiro da FW48 apresentou uma falha de equilíbrio no modo de reta, tornando o carro praticamente incontrolável. A equipe foi forçada a trocar a asa durante a corrida — perdendo tempo e posições. No final, a Williams aproveitou para transformar as últimas voltas de Sainz em sessão de testes.

"Esperava muito mais do carro e do nosso potencial", disse o espanhol. A frase resume bem o humor do paddock em relação à Williams no momento.

Albon foi mais contido, mas não menos preocupado. O tailandês admitiu que o time precisa encontrar pelo menos meio segundo de ritmo para entrar de vez na briga do meio-campo, além de resolver o problema de degradação dos pneus — a FW48 está destruindo compostos muito mais rápido do que o desejável.

O pior dado? A Williams foi a equipe menos competitiva entre os quatro clientes da Mercedes. Motor de fábrica, chassi defasado.

Vowles no centro da pressão

O lado que mais incomoda a diretoria é outro. Segundo fontes próximas à equipe, os investidores americanos da Williams — descritos como "muito, muito ambiciosos" — não estão satisfeitos com o início de temporada. Vowles, que conduziu uma virada notável em 2024, agora enfrenta expectativas muito mais elevadas.

O problema é que 2024 criou uma ilusão. A equipe estava em recuperação, os resultados surpreenderam. Mas a nova era de regulamentos de 2026 resetou o grid, e a Williams claramente não saiu na frente nessa transição.

A situação não é comparável à crise da Aston Martin — a Williams ainda tem pilotos competitivos e um programa de desenvolvimento em andamento. Mas a combinação de car overweight, falhas técnicas e pressão dos investidores cria um ambiente pouco confortável.

China: a primeira chance de resposta

O GP da China acontece de 13 a 15 de março — menos de uma semana após a estreia australiana. Para a Williams, é uma oportunidade de mostrar que Melbourne foi um acidente de percurso, não o retrato fiel do projeto.

Vowles garantiu que os pacotes de redução de peso virão ao longo da temporada, e que o desenvolvimento da FW48 será "agressivo e direcionado". A pergunta que ninguém na Grove consegue responder ainda é: em quanto tempo?

No ritmo atual, Albon e Sainz precisam de milagres de estratégia para marcar pontos. E milagres, como Sainz aprendeu em Melbourne, raramente batem à porta quando o carro ainda não está onde deveria estar.

A China vai revelar o quanto a equipe conseguiu absorver de aprendizado em sete dias. E se Vowles vai chegar ao paddock de Xangai com mais do que promessas na caixa de entrada.