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Verstappen cogita aposentadoria: a Red Bull tem 5 semanas

Com 60 pontos de desvantagem para Antonelli e o carro empatado com a Alpine no campeonato de construtores, Max Verstappen admitiu que não está aproveitando o esporte. A Red Bull tem um mês para convencê-lo a ficar.

PorFernando Almeida
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Verstappen cogita aposentadoria: a Red Bull tem 5 semanas
Foto: Sky Sports / Reprodução — Verstappen no paddock enquanto o RB22 acumula problemas na temporada 2026

Do paddock europeu. Tem momentos na F1 em que o que não é dito vale mais do que o comunicado oficial. A frase de Verstappen após o GP do Japão foi curta, quase casual — "não estou aproveitando o esporte" — mas no paddock de Suzuka ela ecoou como um sino. Quatro títulos mundiais. Quatro anos dominando. E agora um piloto que soma apenas 15 pontos em três corridas, vendo Kimi Antonelli voar 60 pontos à frente com a Mercedes.

A temporada 2026 da Red Bull não está ruim. Está alarmante.

Red Bull em território desconhecido

Três GPs, três vezes sem aparecer no top 5. Isack Hadjar abandonou na Austrália com problema de motor. Verstappen saiu do carro em Xangai com a falha de ERS que já vínhamos denunciando desde a crise técnica do RB22. No Japão, o holandês terminou em sétimo — resultado que, na atual escala, quase foi comemorado internamente.

O campeonato de construtores conta a história de forma brutal: sexto lugar com 16 pontos, empatado com a Alpine. A Red Bull, que ganhou o título de construtores em 2022, 2023 e 2024, hoje está sendo superada em pontos pelo mesmo time que costumava tratar como aspirante. A posição no ranking é calculada por countback — e a Alpine leva vantagem.

Laurent Mekies, chefe de equipe, não tentou disfarçar. "Temos deficiências significativas com o carro", disse ao Sky Sports após Xangai. "Precisamos resolver os problemas fundamentais de performance antes de qualquer outra coisa."

O que Verstappen disse — e o que o contrato prevê

A declaração mais perturbadora não veio de Mekies. Veio do próprio Max.

Em entrevista coletiva após o GP do Japão, Verstappen afirmou que "não está aproveitando o esporte" da forma como esperava nesta fase da carreira. Não foi uma explosão emocional pós-largada ruim. Foi calmo, medido, e exatamente por isso mais preocupante.

Segundo fontes reportadas pelo ESPN, o contrato de Verstappen com a Red Bull contém uma cláusula de saída ativável se ele não estiver entre os dois primeiros do campeonato até o intervalo de meio de temporada. Com 60 pontos de desvantagem e nove corridas ainda pela frente antes da pausa de verão, o cenário matemático para atingir o top 2 não é impossível — mas depende de uma virada dramática.

Mekies reagiu à questão sobre o futuro do piloto com uma resposta que é quase uma promessa pública: "Tenho certeza de que, quando dermos a Max um carro mais rápido, ele vai ser um Max muito mais feliz."

É o tipo de frase que conforta enquanto o campeonato sangra.

O que a pausa de 5 semanas pode — e não pode — fazer

O cancelamento dos GPs do Bahrein (previsto para 10-12 de abril) e da Arábia Saudita em função do conflito no Oriente Médio criou, acidentalmente, um intervalo de cinco semanas entre o Japão e a próxima corrida, o GP de Miami (1-3 de maio). Para a maioria do grid, é tempo extra de preparação. Para a Red Bull, é oxigênio.

A equipe de Milton Keynes tem cinco semanas para rodar no simulador, revisar conceito aerodinâmico e, sobretudo, resolver a intermitência do ERS que colocou Verstappen no banco de reservas da Fórmula 1 por dois finais de semana seguidos. O pacote de atualização planejado para Miami — agora com mais tempo de desenvolvimento — pode chegar em versão mais madura.

O que a pausa não pode fazer é simples: não apaga os 16 pontos marcados. Não reescreve o histórico de confiabilidade. E não muda o fato de que Antonelli venceu no Japão com uma das estratégias mais cirúrgicas da temporada — exatamente o tipo de corrida que o Verstappen dos anos anteriores teria vencido no piloto automático.

Se o RB22 chegar em Miami com a mesma fragilidade, a conversa sobre o futuro de Verstappen na Red Bull vai ganhar um novo capítulo. E dessa vez, pode não ser apenas uma especulação de paddock.


Fernando Almeida cobre a Fórmula 1 do paddock europeu desde 2018.

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Sobre o autor

Fernando Almeida

Correspondente Europa

Vive em Silverstone. Acesso exclusivo ao paddock. Entrevistas e bastidores.