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Regulamento 2026: FIA define prazo e prioridades antes de Miami

A reunião de 9 de abril terminou sem decisões — mas com um cronograma. FIA, equipes e fabricantes de motores se comprometeram com ajustes no gerenciamento de energia. Três reuniões ainda estão marcadas antes da aprovação do WMSC, com prazo para o GP de Miami.

PorRicardo Mendes
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Regulamento 2026: FIA define prazo e prioridades antes de Miami
Foto: Motorsport.com / Reprodução — Largada em 2026: a FIA avalia mudanças no gerenciamento de energia antes do GP de Miami

A reunião de 9 de abril terminou sem mudanças imediatas. Mas terminou com algo mais valioso para o paddock: um prazo.

A FIA divulgou nota oficial após o primeiro encontro técnico com equipes e fabricantes de motores para discutir o regulamento 2026. A linguagem foi calculada — "diálogo construtivo sobre tópicos difíceis" — e a conclusão foi igualmente precisa: há comprometimento com ajustes na área de gerenciamento de energia. Nenhuma decisão tomada no dia 9. A decisão vem no dia 20.

O que saiu da reunião de 9 de abril

O comunicado oficial da FIA afirmou que "embora as corridas até aqui tenham proporcionado disputas emocionantes, houve um compromisso de fazer ajustes em alguns aspectos do regulamento na área de gerenciamento de energia".

Há dois elementos importantes nessa frase. O primeiro é a validação da qualidade das corridas — o que retira argumentos dos que defendem mudanças mais radicais. A Fórmula 1 de 2026 não está quebrada; está incompleta. O segundo é a delimitação do escopo: a FIA não se comprometeu com revisões amplas do pacote técnico. Comprometeu-se com ajustes numa área específica. Isso, por si só, já descarta as propostas mais disruptivas que circularam nas últimas semanas.

O encontro reuniu técnicos das dez equipes, representantes dos fabricantes de motores — Mercedes, Ferrari, Honda, Red Bull Powertrains, Renault — e funcionários da FIA e da Liberty Media. Nenhum resultado saiu assinado. Saiu com uma agenda e três datas.

As duas prioridades que concentraram o debate

O consenso entre pilotos e chefes de equipe sobre o que precisa mudar no regulamento 2026 converge em dois pontos.

O primeiro é técnico: o gerenciamento de energia nas sessões de classificação reduziu o trabalho do piloto a uma equação de bateria, diminuindo o espaço para habilidade e instinto. Andrea Stella, da McLaren, tem sido o nome mais vocal sobre o tema e esteve entre os que puxaram essa discussão no 9 de abril. A ajuste emergencial que a FIA implementou antes do qualifying no Japão foi uma solução pontual — o que está em discussão agora é algo estrutural.

O segundo ponto é de segurança. A batida de Oliver Bearman em Suzuka, com impacto estimado em 50G após o carro perder potência elétrica numa reta, tornou concreto o risco que já existia nos dados. Quando um carro sai do modo super-clipping numa reta de alta velocidade, a diferença de velocidade em relação aos carros atrás pode ultrapassar 100 km/h em frações de segundo. O raio-X das três primeiras corridas em dados de telemetria mostrou que esse diferencial é recorrente e não é acidente de circuito — é estrutural da regulamentação.

Ambas as questões têm soluções técnicas viáveis na mesa. Ainda não há consenso sobre qual será escolhida.

Cronograma: três encontros antes da aprovação para Miami

A FIA delineou uma sequência estruturada para as próximas semanas da pausa de abril:

  • 15 de abril — Reunião de Regulamento Esportivo: discutir mudanças na Seção B para suportar os ajustes técnicos previstos
  • 16 de abril — Sessão técnica de acompanhamento: aprofundar tópicos do dia 9 e expor novas questões
  • 20 de abril — Cúpula de alto nível: FIA, FOM, fabricantes de motores e equipes buscam consenso final

Após o dia 20, qualquer alteração precisa passar pela aprovação do Conselho Mundial de Automobilismo Desportivo (WMSC). Se aprovada, a nova versão do regulamento entra em vigor na quarta etapa do campeonato — o GP de Miami, em 1° de maio.

São exatamente três semanas para decidir, formalizar e ratificar mudanças num regulamento que levou anos para ser construído.

O que esperar das mudanças no regulamento 2026

Dois pontos são prováveis, a julgar pelo comunicado e pelos relatos de quem participou do encontro.

Primeiro, alguma mudança no perfil de energia disponível durante a classificação. A hipótese mais discutida é uma restrição na potência elétrica máxima nas sessões de qualy, o que nivelaria a exigência de gestão de bateria e devolveria ao piloto mais controle sobre o próprio desempenho. A medida se alinha com o que a FIA já testou pontualmente antes do GP do Japão.

Segundo, algum mecanismo para lidar com as diferenças de velocidade nas retas. A solução pode ser técnica — limite de desaceleração da bateria em condições de carga zero — ou esportiva, como um protocolo de zona específica para casos de perda de potência elétrica em alta velocidade.

O que não está em discussão, segundo os relatos que chegam de dentro do processo, é a revisão do conceito central do motor híbrido 2026. A FIA tem sido consistente: o que foi lançado em março não será desmontado. O que está sendo negociado nas próximas três semanas é calibração — o quanto é possível ajustar sem alterar o equilíbrio de competência já estabelecido entre os fabricantes. Para equipes como a Haas, que chegaram a Miami com estratégia definida para o novo regulamento, cada mudança tem peso diferente.

A cúpula de 20 de abril vai definir o que vai para o WMSC. O que vai para Miami, ainda não se sabe.