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FIA convoca reunião de emergência: seis propostas para reformar o regulamento 2026 antes de Miami

Em 9 de abril, diretores técnicos das equipes, fabricantes de motores e oficiais da FIA se reúnem para decidir mudanças urgentes no regulamento 2026. Há seis propostas concretas — e o prazo é o GP de Miami.

PorRicardo Mendes
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FIA convoca reunião de emergência: seis propostas para reformar o regulamento 2026 antes de Miami
Foto: PlanetF1 / Reprodução — FIA convocou cúpula técnica emergencial após incidentes de segurança nas três primeiras corridas de 2026

Há uma data que o paddock inteiro está olhando com mais atenção do que qualquer fim de semana de corrida no curto prazo: 9 de abril. Nesse dia, diretores técnicos das dez equipes, representantes dos fabricantes de motores e altos oficiais da FIA e da Fórmula 1 se reúnem em sessão emergencial para discutir o regulamento 2026. O objetivo não é analisar. É decidir o que muda antes de Miami.

A reunião foi convocada formalmente após as três primeiras corridas da temporada exporem falhas estruturais na nova regulamentação — especialmente nos sistemas de gerenciamento de energia. A FIA já comunicou: "Diversas reuniões estão agendadas em abril para avaliar a operação das novas regras e determinar se ajustes são necessários."

A linguagem é diplomática. A urgência, não.

O incidente que forçou a pauta

O gatilho imediato foi a batida de Oliver Bearman no Spoon Curve em Suzuka. O piloto da Haas chegou a 308 km/h a um carro da Alpine que havia esgotado sua reserva de bateria e perdeu velocidade bruscamente na mesma reta. A diferença de velocidade no momento do impacto: 45 km/h. O registro do acidente: 50G.

Bearman saiu sem lesões. Mas o incidente cristalizou um problema que pilotos vinham alertando desde os testes de pré-temporada: quando um carro da regulamentação 2026 esgota a bateria em plena reta, ele não desacelera suavemente. Para de vez. E o carro atrás não tem tempo de reagir.

Carlos Sainz, diretor da GPDA, foi direto ao ponto nos dias seguintes: "Precisamos resolver isso antes de Baku, Singapura e Las Vegas — circuitos urbanos onde não há área de escape."

Max Verstappen batizou o fenômeno de "modo cogumelo" — a imagem visual de carros que somem da tela de velocidade no meio de uma reta — e disse publicamente que o comportamento é inaceitável em termos de segurança.

As seis propostas na mesa

Segundo fontes internas consultadas por ReadMotorsport e Sky Sports F1, o encontro de 9 de abril terá seis mudanças concretas como pauta. Nenhuma está aprovada ainda; todas precisam de simulação e aprovação técnica antes de implementação. São elas:

  1. Ampliar o "super clipping" — aumentar o boost de potência de 250 kW para 350 kW durante as fases de aceleração, tornando a captação de energia menos abrupta
  2. Reduzir os limites de implantação de energia — ou antecipar o corte de potência elétrica, distribuindo o consumo de bateria de forma mais uniforme ao longo da volta
  3. Cortar o máximo de recuperação de energia no qualifying — de 9 MJ para 7–6 MJ, reduzindo o risco de esgotamento brusco durante voltas de baixo combustível
  4. Expandir as zonas de aerodinâmica ativa — ampliar as áreas onde o "modo reto" (que reduz o arrasto entre 25% e 40%) pode ser ativado, funcionando como um sucessor de amplo espectro do DRS
  5. Adiar ajustes na divisão de potência motor–bateria para 2027 — reconhecendo que alterar a proporção 50/50 ICE/elétrico a meio da temporada representa risco técnico elevado para os fabricantes
  6. Restaurar o gerenciamento manual de energia pelos pilotos — removendo os algoritmos automáticos que, em situações de baixa carga de bateria, têm interpretado erroneamente os inputs dos pilotos

Para entender a profundidade das mudanças propostas, é necessário compreender como a nova unidade de potência 2026 funciona: pela primeira vez na história da F1 híbrida, metade da potência total vem do motor elétrico. Quando essa metade simplesmente para de trabalhar — mesmo que por frações de segundo — os efeitos na pista são imediatos e potencialmente perigosos.

O que pode mudar antes de Miami

A janela de cinco semanas gerada pelos cancelamentos do Bahrein e da Arábia Saudita — retirados do calendário por causa do conflito no Oriente Médio — é, ao mesmo tempo, o problema que criou o espaço e a solução que permite agir sem pressão de fuso horário. As equipes têm fábricas rodando, engenheiros disponíveis e tempo para homologar mudanças antes de 1º de maio.

A FIA deixou claro que qualquer alteração passará por "análise detalhada e simulação cuidadosa." Na prática, isso significa que as propostas de menor impacto técnico — como o corte de energia no qualifying e a restauração do gerenciamento manual — têm maior probabilidade de aprovação rápida. As mudanças estruturais na divisão de potência, como a própria agenda já sugere, devem ser diferidas para 2027.

O que o paddock precisa saber até 9 de abril — e o que provavelmente saberá até lá — é se a FIA vai agir com a velocidade que a situação exige ou vai produzir mais reuniões. Três corridas. Dois incidentes graves de velocidade de fechamento. Um acidente de 50G. A pauta está montada. O que falta é decisão.


Fontes: PlanetF1, ReadMotorsport, Sky Sports F1, GPFans