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Mercedes favorita na Austrália: vantagem de 30s preocupa rivais

Fontes do paddock apontam que a W17 pode ter até 30 segundos de vantagem sobre os rivais em ritmo de corrida. Ferrari, McLaren e Red Bull correm contra o tempo para fechar a diferença antes de Melbourne.

PorFernando Almeida
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Mercedes favorita na Austrália: vantagem de 30s preocupa rivais
Foto: ScuderiaFans / Reproducao

A Fórmula 1 retorna ao Albert Park para abrir a temporada 2026 no próximo fim de semana, mas parte do paddock já chega a Melbourne com uma certeza incômoda: a Mercedes pode ser imbatível. Engenheiros de equipes rivais apontam, em conversas nos bastidores, que a W17 carrega uma vantagem estimada de aproximadamente 30 segundos em ritmo de corrida em relação à Ferrari — e o número assusta.

Antes de embarcar para a Austrália, fontes ligadas a diferentes equipes e compiladas pelo site ScuderiaFans apontaram que a Mercedes teria a maior vantagem em ritmo de corrida desde o domínio da Red Bull em 2023. Não é um alarmismo isolado: os dados dos testes de pré-temporada no Bahrein sustentam essa percepção.

O que os testes do Bahrein revelaram

A Mercedes foi a equipe mais consistente dos dois blocos de testes realizados no Bahrein. Enquanto Ferrari e McLaren fizeram simulações de corrida longas, a equipe de Brackley optou por stints curtos de 15 voltas — competitivos, com degradação de pneu controlada, mas intencionalmente incompletos.

A decisão foi estratégica. Ao não expor o pace real da W17 em uma sequência de corrida completa, a Mercedes evitou que rivais copiassem parâmetros técnicos cruciais do carro. O que ficou exposto, porém, já foi suficiente: George Russell e Kimi Antonelli rodaram com tempos que, extrapolados para ritmo de corrida, sugerem uma folga expressiva sobre o pelotão.

Pela análise do The Race, o ranking das equipes após os testes coloca a Mercedes em primeiro, Ferrari em segundo — ainda que ligeiramente atrás no ritmo longo —, McLaren em terceiro e Red Bull em quarto. A diferença entre os quatro primeiros é menor do que a que separa o grupo da McLaren do restante do grid.

Para o contexto dos novos regulamentos que marcam a temporada 2026 — incluindo motores totalmente reformulados e aerodinâmica ativa — você pode conferir o que já antecipamos na nossa análise dos testes de pré-temporada.

Por que 30 segundos é um número assustador

Para ter ideia de escala: uma diferença de 30 segundos ao longo de uma prova de 58 voltas significa mais de meio segundo por volta em média. Em termos práticos, é a diferença entre vencer com folga e brigar pela segunda posição na melhor das hipóteses.

O número, é importante ressaltar, é uma projeção, não um dado confirmado oficialmente pela Mercedes. A equipe alemã jamais declarou publicamente qualquer vantagem específica. O que existe são estimativas de engenheiros rivais — fontes com interesse próprio na narrativa, mas com acesso real aos dados de telemetria e timing que circulam dentro do paddock.

A ressalva técnica relevante é o limite de compressão dos motores: as novas regras da FIA entram em vigor com valores mais restritos a partir de junho, o que força a Mercedes a gerir o motor com cuidado desde o início. Isso significa que a equipe não vai abrir o motor ao máximo em Melbourne — e ainda assim pode vencer com conforto.

Ferrari, McLaren e Red Bull: onde estão?

A Ferrari chegou ao Bahrein com um projeto ambicioso e tecnicamente inovador. Charles Leclerc foi quem registrou o tempo mais rápido dos testes, mas ritmo de volta rápida em condições controladas é diferente de ritmo de corrida. A análise mais detalhada da long run coloca os italianos em segundo — competitivos, mas com margem para a Mercedes.

A McLaren, campeã construtores de 2025 com Lando Norris no título de pilotos, reconheceu publicamente que Mercedes e Ferrari estão "um passo à frente". O time trouxe uma atualização de motor para a Austrália — entregue pela Mercedes Motorsport — e espera fechar parte do gap. Max Verstappen, que foi o benchmark inicial dos testes com a Red Bull, viu a equipe ser ultrapassada progressivamente nas semanas seguintes.

O midfield tem na Haas e na Alpine os candidatos mais competitivos. E duas estreias de peso marcam o grid: a Cadillac, time americano que chega como 11ª equipe, e a Audi, que absorveu a Sauber e traz Nico Hülkenberg à frente do projeto.

O que esperar em Melbourne

A corrida de domingo tem largada às 15h local (02h de segunda de Brasília). O roteiro mais provável, caso os testes digam a verdade, é Russell ou Antonelli cruzando a linha de chegada primeiro com vantagem confortável. Mas Melbourne já provou que o Albert Park guarda surpresas — a edição de 2025 foi marcada por chuva intensa que embaralhou tudo.

O tempo promete ficar seco neste ano. E com uma pista que pune erros e exige equilíbrio entre ritmo de classificação e corrida, a grande incógnita é saber se Mercedes vai mostrar suas cartas logo na primeira rodada — ou se vai guardar trunfos para o desenvolvimento da temporada.

O grid de 22 carros, o maior desde 2014, garante que o espetáculo começa antes mesmo do semáforo apagar.

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Sobre o autor

Fernando Almeida

Correspondente Europa

Vive em Silverstone. Acesso exclusivo ao paddock. Entrevistas e bastidores.