Mercedes 2026: o paddock já escolheu — e não é Russell o favorito ao título
Com 72 pontos e duas vitórias em três corridas, Antonelli superou Russell na pista e na cabeça do staff da Mercedes. Os corredores de Brackley já sabem quem vai brigar pela coroa.

Tem uma pergunta que o paddock europeu vem respondendo nas últimas semanas, mas que ninguém na Mercedes tem coragem de verbalizar em público: entre Kimi Antonelli e George Russell, quem vai brigar pelo campeonato de 2026?
A resposta — pelo menos nos corredores de Brackley — já não é mais ambígua.
Fontes ligadas à equipe confirmaram ao F1 Oversteer que o staff interno da Mercedes não vê mais Russell como o principal candidato ao título. É Antonelli "quem está fazendo a diferença", nas palavras de quem convive com os dois pilotos semana a semana. O campeonato de 2026 saiu completamente dos trilhos da narrativa prevista — e a própria equipe alemã está tendo que se adaptar a isso.
A temporada que embaralhou a ordem interna
O plano da Mercedes era razoavelmente simples: Russell, campeão mundial em 2024, seria o líder indiscutível. Antonelli, estreante de 19 anos, estava ali para crescer, aprender, acumular experiência. O garoto era rápido, todo mundo sabia — mas havia um abismo entre potencial e entrega numa equipe de ponta.
Aí veio a Austrália. Russell foi impecável. Venceu de ponta a ponta em Albert Park, abriu a temporada no topo do campeonato. O roteiro seguia conforme o planejado.
A China foi onde o roteiro foi rasgado.
Antonelli chegou em Shanghai, foi à pole e venceu. Russell chegou em segundo. A vitória na China não teve nada de fortuna — foi velocidade bruta. O companheiro de equipe era mais rápido que o campeão.
No Japão, a história se repetiu com requinte de drama. Pole, caos na primeira volta, queda para sexto lugar — e mesmo assim Antonelli se reorganizou, usou o safety car a favor e venceu em Suzuka. Suzuka é um circuito que exige piloto completo. Antonelli passou no teste.
Os números que o staff não consegue ignorar
72 pontos. É o que Antonelli acumula após três corridas. Russell está em segundo, com 63. Nove pontos de diferença podem parecer pouco num campeonato de mais de 20 etapas, mas o padrão diz mais do que o número.
Antonelli: pole na China, vitória. Pole no Japão, vitória. Pódio nos três GPs. Russell: vitória na Austrália, segundo na China, fora do pódio em Suzuka. A tendência é clara — e quem trabalha dentro da equipe lê essa tendência todo dia.
Não é que Russell tenha sido ruim. Ele foi bom. Num time diferente, seria o líder indiscutível. O problema dele tem nome, sobrenome e 19 anos de idade.
O staff da Mercedes — engenheiros, estrategistas, as pessoas que definem as prioridades operacionais de uma equipe de F1 — está chegando à mesma conclusão que os dados sugerem. Internamente, a hierarquia implícita já se inverteu.
O que muda a partir de Miami
O próximo GP é em Miami, de 1 a 3 de maio — Sprint weekend, o formato que concentra pressão em dois dias e não perdoa inconsistências. É exatamente o tipo de fim de semana onde diferenças se revelam rapidamente.
Para Russell, Miami carrega um peso extra além dos pontos. Uma pole, uma vitória, uma performance dominante pode ressignificar o que tem acontecido nos últimos dois meses. Uma corrida apagada, por outro lado, reforça o que o paddock já está murmurando.
Para Antonelli, seria mais uma prova de que 2026 não é um acidente estatístico.
George Russell tem talento de campeão. Ganhou o título em 2024, sabe o que fazer com um carro competitivo. O problema, em 2026, é que Kimi Antonelli pode ser ainda melhor do que ele. E o paddock — silenciosamente, sem conferência de imprensa — já chegou a essa conclusão.