Racing Bulls no Japão: Lawson vira o jogo em Suzuka
Do 14° no quali ao 9° na corrida. Liam Lawson transformou um sábado problemático em dois pontos estratégicos em Suzuka — enquanto o rookie Lindblad fazia o caminho inverso. Racing Bulls acumula ritmo rumo a Miami.

Havia duas histórias para contar na Racing Bulls em Suzuka, e elas seguiram caminhos opostos. Liam Lawson danificou a asa dianteira no qualifying do GP do Japão 2026, largou em 14° e terminou em nono depois de uma corrida cirúrgica. Arvid Lindblad, o rookie que eliminou Max Verstappen no Q2 e largou em 10°, cruzou a bandeirada em 14°. Um construiu pontos onde parecia impossível. O outro transformou um sábado de sonho num domingo de aprendizado. Na Racing Bulls, Suzuka mostrou as duas faces de uma temporada que está ganhando forma.
A asa danificada que não destruiu o resultado
O sábado foi complicado para Lawson. Um incidente no qualifying obrigou a equipe a trocar a asa dianteira de última hora — o que alterou o equilíbrio do carro e jogou o neozelandês para a 14ª posição no grid, fora do grupo em que devia estar.
Na corrida, porém, ele executou uma estratégia quase perfeita. Estendeu o stint inicial além do que os rivais diretos esperavam, aproveitou o Safety Car da volta 22 — acionado pelo acidente violento de Bearman — e fez uma parada que o relançou na briga pelo top 10. Nas voltas finais, a gestão de energia foi decisiva.
"Se o Esteban usasse energia para me ultrapassar, eu conseguiria retomar a posição. Ficamos sustentáveis o tempo todo", explicou Lawson após a corrida, conforme reportagem da Speedcafe. Traduzido: ele jogou Ocon num jogo de paciência energética e ganhou. Dois pontos a mais no campeonato. Simples no papel, valioso no contexto de uma temporada que ainda mal começou.
Lindblad impressiona no sábado — e aprende no domingo
A narrativa no lado do outro garagem foi diferente, mas não menos interessante.
Arvid Lindblad, o único estreante do grid em 2026, chegou ao Q2 e eliminou Max Verstappen por 0,153s. Aos 18 anos, na terceira corrida da carreira, colocar o carro em Q3 enquanto o tetracampeão ficava parado no Q2 é o tipo de façanha que fica no currículo para sempre — independente do que aconteceu depois.
Na corrida, o rookie teve a realidade do domingo. Partindo de 10°, Lindblad não conseguiu converter o ritmo do sábado e terminou em 14°, fora dos pontos. A gestão de pneus no pelotão compactado do meio de grid, as janelas de pit stop sob pressão e os duelos em alta velocidade são habilidades que se constroem com quilômetros, não com simulador. O lapso entre qualificação e corrida é, historicamente, o maior obstáculo para qualquer estreante — e Lindblad está aprendendo isso do jeito mais direto possível.
Com 4 pontos no campeonato após três GPs, o sueco está em 11° — um balanço positivo para um piloto que estreou na Fórmula 1 há menos de um mês.
Racing Bulls acumula pontos rumo a Miami
O Japão foi o terceiro GP com pontos consecutivos para Lawson. Na China, ele foi sétimo e somou 6 pontos. Na Austrália, marcou seus primeiros 2 da temporada. Em Suzuka, mais dois. No total, são 10 pontos — suficientes para a 10ª posição no campeonato de pilotos.
Combinados com os 4 de Lindblad, a Racing Bulls contabiliza 14 pontos no campeonato de construtores e ocupa a sétima posição — apenas dois a menos que o Red Bull Racing, que soma 16 com Hadjar e Verstappen após as mesmas três provas. Não é um dado que vai aparecer nas manchetes, mas diz muito sobre a consistência de uma equipe que escalou um rookie e um piloto que foi demitido do time principal há menos de um ano.
O próximo compromisso é o GP de Miami, em 3 de maio, após cinco semanas de recesso. Para a Racing Bulls, o intervalo chega no momento certo: tempo para aperfeiçoar o pacote técnico e chegar à Flórida com o momentum construído nas últimas semanas.
O resultado completo do GP do Japão mostra o quanto ainda falta para chegar ao pelotão de frente, mas o que importa para a equipe de Faenza não é o que está no topo da tabela — é o que está sendo acumulado, corrida a corrida, no meio do grid.