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GP China 2026: Bearman brilha no caos e lança Haas ao 4º no Mundial

Oliver Bearman sobreviveu a um quase-acidente na Volta 1 e conquistou o P5 em Shanghai. Gasly pontua para Alpine, Lawson mantém RB nos pontos. A nova ordem do meio-campo após duas rodadas.

PorFernando Almeida
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GP China 2026: Bearman brilha no caos e lança Haas ao 4º no Mundial
Foto: The Race / Reprodução — Ação no Grande Prêmio da China 2026, onde o meio-campo produziu os momentos mais dramáticos da tarde

Enquanto a atenção do mundo estava fixada na dobradinha Mercedes e no drama McLaren lá na frente — e não era pra menos, como mostra o resultado completo da corrida — algo bastante significativo acontecia mais atrás no pelotão em Shanghai. Oliver Bearman, 20 anos, sobreviveu a um quase-desastre na abertura, caçou meia dúzia de pilotos ao longo das 56 voltas e cruzou a linha em quinto. Foram 10 pontos que valem muito mais do que parecem no papel.

O GP da China 2026 não teve apenas um protagonista. Teve vários — e a maioria deles não estava nem perto dos três primeiros colocados.

Shanghai, Volta 1: Bearman tinha "uma fração de segundo para reagir"

Isack Hadjar perdeu o controle do seu Red Bull na curva 13 na primeira volta. O carro rodou na trajetória, jogou pedaços de fibra de carbono na pista e deixou espaço praticamente zero para quem vinha atrás. Bearman veio em velocidade, desviou por instinto e mal raspou. "Foi um momento assustador. Eu tinha uma fração de segundo para reagir, senão teria sido um acidente enorme", disse o britânico à imprensa após a corrida.

O episódio o jogou para trás do grupo. No fim da Volta 1, Bearman estava longe do P5 que acabaria conquistando. Mas o que se seguiu foi uma tarde de corrida que vai ficar no portfólio do jovem piloto da Haas por um bom tempo.

Com paciência e precisão, Bearman foi engolindo nomes: Carlos Sainz, Max Verstappen, Liam Lawson, depois Franco Colapinto, Esteban Ocon e Pierre Gasly. Uma intervenção do safety car no trecho intermediário da prova ajudou a comprimir o pelotão e abriu a janela que ele precisava. Mas crédito onde é devido — o piloto soube explorar cada oportunidade. A Haas trouxe para casa 10 pontos quando parecia que seria uma tarde comum.

Seu companheiro Esteban Ocon terminou em P14, a uma volta. O contraste interno é gritante, mas não diminui o que Bearman fez.

Gasly e Alpine: oito pontos que reacendem a esperança francesa

Pierre Gasly chegou em sexto. Não é manchete de capa, mas para uma Alpine que saiu da Austrália de mãos vazias — e ainda digeria o desempenho decepcionante na sprint de Shanghai — são oito pontos que chegam num momento muito importante.

O francês gerenciou os pneus com inteligência na segunda metade da prova, protegeu a posição quando Lawson pressionou e cruzou a linha com margem confortável. Franco Colapinto completou em P10, adicionando mais um ponto para o time de Enstone. Ao todo, nove pontos vindos da China — a melhor rodada da Alpine em muitos meses.

Esteban Ocon, do outro lado do garagem, foi uma sombra do P6. O francês lutou com o degradação dos pneus e perdeu ritmo na fase decisiva da corrida. A diferença de resultado dentro da mesma equipe é tema que vai entrar na pauta da semana.

Lawson cresce, Red Bull sofre e a nova hierarquia do meio-campo

Liam Lawson foi o melhor dos demais. Sétimo lugar para a Racing Bulls, seis pontos adicionados ao seu campeonato. Não foi uma corrida de holofotes — foi uma corrida de homem sólido, que aproveitou o caos ao redor (Verstappen, Alonso e Stroll somaram três abandonos entre eles) sem cometer erros. Isack Hadjar, que causou o susto com Bearman na Volta 1, se recuperou para chegar em oitavo e garantir quatro pontos para a Red Bull — o único resultado positivo de uma tarde horrível para a equipe de Milton Keynes.

Verstappen abandonou. Alonso abandonou. Stroll abandonou. Quando três dos carros mais badalados da temporada param na beira da pista, a geometria do campeonato muda.

Confira como ficou o meio-campo na tabela de resultados:

PosPilotoEquipePontos
5Oliver BearmanHaas10
6Pierre GaslyAlpine8
7Liam LawsonRacing Bulls6
8Isack HadjarRed Bull4
9Carlos SainzWilliams2
10Franco ColapintoAlpine1

Classificação atualizada: Russell lidera, Haas surpreende no Mundial

Dois GPs disputados, dois vencedores diferentes (Russell na Austrália, Antonelli na China) e uma realidade bastante clara no topo: a Mercedes está em outro nível. George Russell lidera com 51 pontos, Antonelli segue com 47. Apenas quatro pontos separam os companheiros de equipe.

Mais abaixo, a corrida secundária mais interessante do campeonato está tomando forma:

Pilotos — Top 10 após China:

PosPilotoEquipePts
1George RussellMercedes51
2Kimi AntonelliMercedes47
3Charles LeclercFerrari34
4Lewis HamiltonFerrari33
5Oliver BearmanHaas17
6Lando NorrisMcLaren15
7Pierre GaslyAlpine9
8Max VerstappenRed Bull8
9Liam LawsonRacing Bulls8

Bearman em quinto no campeonato de pilotos. Com 17 pontos, à frente de Norris (que não largou hoje), Gasly, Verstappen. Não é um typo. É o estado da temporada.

No campeonato de construtores, a Haas está na quarta posição — resultado que ninguém previa em março. A Haas já havia mostrado sinais na Austrália, mas consolidar isso com mais 10 pontos em Shanghai confirma que o projeto Bearman tem substância. A McLaren, que era favorita ao título de construtores antes do fim de semana, saiu da China com zero — o duplo DNS de Norris e Piastri foi um desastre sem precedentes recentes na categoria.

Próximo compromisso: Suzuka aguarda

O campeonato se move para o Japão. O GP de Suzuka está marcado para o fim de semana de 27 a 29 de março, e o circuito exige um carro muito diferente do que funciona em Shanghai. Alta velocidade, curvas longas, exigência aerodinâmica máxima — é onde os melhores chassis se separam dos demais.

Para Bearman e a Haas, a questão é: isso se confirma em Suzuka, ou foi o caos específico de Shanghai que abriu o espaço para esse resultado? Para Gasly, Alpine tem estrutura técnica para competir no Japão de forma consistente? Para Lawson, pode a Racing Bulls manter a competitividade que mostrou desde Melbourne?

São perguntas que Shanghai não responde — só Suzuka pode fazer isso. A temporada está em três corridas, e o meio-campo ainda não tem dono.