Ferrari testa 'Macarena' v2 e piso novo em Monza antes de Miami
Na quarta-feira (22), a Scuderia leva o SF-26 à Monza para um dia de filmagem com foco no pacote de Miami: a asa 'Macarena' v2, piso revisado e redução de peso.

Existe uma regra não escrita no paddock: equipe que testa fora de temporada sabe de algo que os outros ainda não sabem. Na Scuderia Ferrari, essa sessão está marcada para esta quarta-feira, 22 de abril, no Autodromo Nazionale di Monza. E o que vai para a pista é mais do que rotina.
O SF-26 terá 200 quilômetros disponíveis no chamado filming day — o limite regulamentar permitido pela FIA fora dos finais de semana de corrida. Dentro dessas 200 voltas simbólicas, a equipe de Maranello pretende validar o pacote de atualizações planejado para o GP de Miami, primeira das 22 etapas restantes do campeonato e a corrida mais próxima no horizonte (3 de maio).
A Macarena voltou — e chegou revisada
O item que concentra a maior expectativa técnica é a asa que os engenheiros apelidaram internamente de "Macarena" — a versão evoluída do sistema de asa ativa ajustável da Ferrari para 2026. A novidade não é bem nova: a Macarena já foi usada durante o treino livre 1 em Xangai, o que significa que, do ponto de vista regulamentar, ela pode aparecer num filming day sem ser classificada como componente inédito.
O que vem aí é a versão 2 — com geometria refinada com base nos dados coletados na China e nas simulações feitas durante a pausa. A asa foi originalmente programada para debutar no Japão, mas Suzuka não foi o circuito ideal para o conceito. Miami, com suas retas longas e curvas lentas, oferece um cenário muito mais parecido com o que a Ferrari imaginou quando projetou o sistema.
O piso é a segunda grande novidade. Desenvolvido ao longo do inverno com Bahrain como destino original — cancelado após os eventos na região —, o assoalho revisado representa o principal avanço aerodinâmico da temporada até aqui. Mais downforce, menos arrasto nos pontos críticos, sem comprometer a estabilidade em curva. A promessa, pelo menos nos túneis de vento e nas simulações CFD, é de um ganho real de ritmo.
O plano completo da Ferrari para a pausa de abril
Monza não é o único compromisso de pista que a Ferrari marcou nesta janela de cinco semanas. A equipe já completou duas etapas anteriores:
- 1 e 2 de abril — Mugello (TPC): testes com carros de gerações anteriores, conduzidos pelos pilotos reservas Antonio Giovinazzi, Arthur Leclerc e Antonio Fuoco. Foco em coleta de dados de comportamento aerodinâmico.
- 9 e 10 de abril — Fiorano (pista molhada): SF-26 em condições de chuva artificial. Pelo menos um dos titulares — Hamilton ou Leclerc — esteve atrás do volante. Objetivo: mapear o comportamento do carro em condições variáveis para ter um banco de dados maior antes de Miami.
A Monza desta quarta é o capítulo final desse processo. Além da Macarena v2 e do piso revisado, o pacote inclui refinamentos aerodinâmicos menores e componentes voltados ao gerenciamento térmico — um ponto sensível no SF-26, especialmente nos setores onde o acionamento intenso da unidade de potência Honda eleva a temperatura dos sistemas de resfriamento.
A redução de peso também está na pauta. A Ferrari está entre as equipes que ainda trabalham para otimizar a massa do carro dentro dos limites do regulamento técnico. Cada décimo de quilo a menos é ritmo de volta em pistas onde o equilíbrio mecânico é determinante.
45 pontos é a distância — Miami é a primeira chance real de encurtá-la
O campeonato de construtores, depois de três corridas, coloca a Mercedes em outro patamar: 135 pontos contra 90 da Ferrari. São 45 de diferença num momento em que ainda há 19 grandes prêmios pela frente, além de cinco fins de semana de sprint.
Como os dados mostraram antes de Miami, o ritmo de corrida da Ferrari é mais competitivo do que a tabela sugere. O problema é que ritmo de corrida sem resultado não gera pontos — e a Mercedes tem sido clínica em converter vantagem de classificação em vitórias.
A pausa de cinco semanas, ironicamente forçada pelo cancelamento de Bahrain e Arábia Saudita, entregou à Ferrari uma oportunidade que não estava no calendário: tempo para testar, validar e chegar a Miami com upgrades que fariam mais sentido no contexto de corridas que não aconteceram. Como explicou a análise completa sobre o pacote de upgrades para Miami, a janela de desenvolvimento nunca foi tão longa na história recente da F1.
Se a Macarena v2 e o piso revisado entregarem o que os engenheiros prometem nos dados internos, a Ferrari pode chegar às ruas de Miami Gardens com um carro sensivelmente mais rápido do que o que saiu de Suzuka. No paddock, a expectativa é de que a diferença seja real o suficiente para mudar a conversa sobre o campeonato — especialmente com Leclerc e Hamilton precisando, urgentemente, de um resultado.
Quarta-feira, Monza, 200 km. O SF-26 fala por si.