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Alpine renascida: Gasly 6º e Colapinto entram no top 10 em Xangai

Uma semana após Melbourne, a Alpine acertou o passo em Xangai: Gasly terminou em P6, Colapinto marcou seus primeiros pontos pela equipe e o motor Mercedes mostrou por que importa.

PorFernando Almeida
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Alpine renascida: Gasly 6º e Colapinto entram no top 10 em Xangai
Foto: MotorsportWeek / Reprodução — Pierre Gasly em Xangai, onde terminou em P6 com o A526

Há uma semana, Pierre Gasly saiu de Melbourne representando a Alpine com apenas um ponto na tabela e uma sensação de oportunidade desperdiçada. No domingo em Xangai, o francês cruzou a linha em sexto lugar e usou palavras bem diferentes para descrever o A526. "Estamos em uma liga completamente diferente do ano passado", disse Gasly no paddock do Shanghai International Circuit. Franco Colapinto completou a dobradinha ao terminar em décimo, marcando seus primeiros pontos com a Alpine logo em seu segundo Grande Prêmio pela equipe.

A dobradinha de Xangai foi o melhor resultado coletivo da Alpine em anos — e chega num momento em que o meio-campo começa a mostrar suas primeiras linhas definitivas da temporada 2026.

De Melbourne a Xangai: o que mudou

A análise dos dados após a Austrália não mentia: Gasly havia terminado em 10º com apenas 1 ponto; Colapinto sofreu uma penalidade de stop-and-go de 10 segundos na volta 10 e cruzou a linha em 14º, fora dos pontos. A equipe tinha potencial nos treinos, mas não estava convertendo em pace de corrida.

Em Xangai, o cenário foi outro desde o FP1. O A526 manteve ritmo de corrida consistente ao longo das 56 voltas — não apenas em classificação, mas no passo médio em diferentes compostos e cargas de combustível. Gasly gerenciou a estratégia com precisão, mantendo posição diante de carros de equipes com orçamentos significativamente maiores.

Colapinto, por sua vez, chegou ao top 10 com uma prova limpa — zero incidentes, sem as penalidades que atrapalharam sua estreia. O ponto marcado em décimo pode parecer modesto, mas é o sinal que a Alpine precisava: a dupla está no mesmo ritmo e a equipe pode ter dois pilotos pontuando na mesma corrida.

Motor Mercedes: de diferencial a condição de sobrevivência

A troca de fornecedor de motor — saiu o Renault, entrou a Mercedes — é a mudança mais estrutural da Alpine para 2026. Sob as novas regulações do ciclo híbrido 50/50, a unidade de potência deixou de ser apenas vantagem e passou a ser condição para competir. Equipes com motores que entregam melhor gestão energética conseguem deployments mais agressivos em saídas de curva — e isso significa pace real de corrida, não só em qualificação.

O A526 foi desenvolvido desde o início ao redor dessa nova unidade, sem as dores de integração que afetam outras equipes do grid. Flavio Briatore, CEO da Alpine, apontou isso desde os testes de pré-temporada, e os resultados de Xangai confirmaram a tese.

"A forma como o carro responde nas acelerações é diferente. Tenho muito mais confiança para frear tarde sabendo que ele vai estabilizar", explicou Gasly ao Autosport antes do GP da China. No domingo, essa confiança se traduziu em três posições acima do melhor resultado de Melbourne.

O que vem por aí: Japão e as metas de Briatore

Com o resultado de Xangai, a Alpine soma 7 pontos e sobe para P6 no Mundial de Construtores — exatamente onde a equipe declarou que quer terminar a temporada. A meta de Briatore é terminar entre P6 e P8. Com apenas dois GPs disputados, o cenário está dentro do planejado e com margem para surpresa positiva.

O próximo desafio é o GP do Japão, de 27 a 29 de março em Suzuka — um circuito que testa eficiência aerodinâmica e gestão de energia nas sequências rápidas da Seção 3. Para a Alpine, será o primeiro exame em uma pista que exige equilíbrio preciso entre downforce e eficiência do drivetrain.

Briatore não deixou espaço para autoindulgência: "Não vamos celebrar P6 como se fosse vitória. O próximo passo é P4 ou P5." Com o GP da China entregando uma dobradinha real de pontos, a Alpine tem argumentos — e dados — para acreditar que pode estar nessa conversa em breve.

A temporada tem 22 corridas pela frente. A Alpine, que nas três últimas temporadas oscilou entre a promessa e a frustração, finalmente parece ter a estrutura para transformar potencial em resultado. Pierre Gasly disse que estão "em uma liga diferente". Em Xangai, pelo menos, o cronômetro concordou.